segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Micorrizas e orquídeas

Olá,

Uma grande amiga me deu uma dica sobre a utilização de micorrizas para o cultivo de orquídeas. Utilizo as micorrizas para o cultivo das minhas orquídeas desde 2014.

Aprovei o resultado: elas se desenvolveram muito bem, saudáveis e com raízes para todos os lados.

Há uma condição para a micorriza se desenvolver: não utilize produtos químicos nem fungicidas. 

Utilizo bokashi e chorume, assim há uma condição para o seu desenvolvimento. 

Quando vi este cogumelo no Brasiliana, pensei que tudo está bem saudável. Sem produtos químicos e em desenvolvimento. Se houvesse uma tartaruga e ela comesse este cogumelo, nós também poderíamos digerí-lo. Foi assim que um amigo perdeu a chance de almoçar. A tartaruga dele devorou toda a safra anual de cogumelos no seu pomar!


Comprei um produto importado que é utilizado no cultivo de plantas em geral: nele há ectomicorriza (pisolithus tinctorius, rhizopogon luteolus, fulvigleba, villosullus e amylogopon, scleroderma cepa e citrinum) e endomicorriza (glomus etunicatum, intraradices, mosseae e aggregatum, tricoderma koningii e harzianum).

Este é o produto. Não me pergunte o que é o que....Rs.


Faço assim para cultivar a orquídea: deixo em quarentena, acaba a floração e replanto quando necessário, troco todo o substrato, limpo as raízes secas, coloco canela, preparo o substrato conforme a raízes e habitat da orquídea. Prefiro preparar tudo para controle de rega e não para rega abundante, pois o inverno exige maior atenção no controle de rega e temperatura. Faço o replantio completo e antes de completá-lo adiciono os grânulos de micorrizas onde há raízes saudáveis. Finalmente cubro com o substrato superficial no topo do vaso e realizo o tutoramento final antes de fixar o pendural.

Molho abundantemente o vaso e tudo mais, deixando escorrer bem.

Antigamente eu molhava o substrato para replantio. Hoje trabalho com tudo seco, substratos de excelente qualidade, limpos sem pó e rego abundantemente no final do replantio. Deixo o cuidado de não deixar as raízes desidratarem com o substrato novo.

Posso dizer que as minhas plantas deram um salto qualitativo e agradeço por esta dica e pela amizade especial desta amiga!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Iluminação artificial no orquidário

Orquidófilos,

Hoje trago uma reflexão sobre a melhoria de condições gerais no orquidário doméstico: iluminação artificial.

Já tratamos deste assunto nas matérias anteriores sobre aspectos saudáveis no cultivo e no orquidário. 

Chamo a atenção para um pequeno cuidado que nunca fiquei satisfeita: iluminação artificial.

Primeiro porque considero importante o controle noturno para buscar lesmas e caramujos na época de chuva e umidade intensa. Nem sempre eles são atraídos por iscas em geral.

Segundo porque há a importância de dar uma repassada visual constantemente em qualquer horário. Se a luz artificial fica ligada num tempo razoável à noite, os insetos, caramujos e lesmas se ocultam.

Estes seriam os dois principais motivos para se buscar uma vantagem, uma solução na iluminação para inspecionar as orquídeas durante à noite. Garanto que não é falta do que fazer! Rs.

Pesquisei sistemas de emergência, led, lanterna e luminárias para área externa, etc. Na época o investimento seria alto e não havia garantia para curto-circuito ou infiltração. Teria tomadas, fios, transformadores, baterias, etc. A maior preocupação sempre foi água x equipamentos elétricos. 

Eis que nesta semana soube de uma lanterna para sistema de emergência com 30 unidades de led que funciona com carga elétrica bivolt e pode ser utilizada desconectada à rede elétrica. Tem consumo e autonomia de tempo 1w/hora, a relação custo x benefício compensa o investimento. Produto barato com cara de descartável mas de grande utilidade. Levíssimo de plástico duro branco que quebra! Testei e aprovei. Solução encontrada para inspecionar a coleção toda com um resultado rápido e eficaz. A intensidade da luz na cor branca faz total diferença na inspeção.

Anteriormente utilizei lanterna de bicicleta e lanterna manual para manutenção de carro, nada apresentou resultado satisfatório, consumia pilhas e não iluminaram bem, mal dava para enxergar algo. Cheguei até a pensar numa lanterna para acampamento e pesca, desisti devido ao peso e tamanho. Enfim, a saga terminou. Resta acabar com eventuais invasores que adoram raízes, brotos e folhas novas.

Tenho que lembrá-los que tentei o cultivo no sistema semi-hidropônico: garrafa pet vazada com argila expandida. Tudo estava indo super bem até que a Phalaenopsis equestri, presente do falecido Guy Amaral, foi atacada por um enorme caramujo que matei após verificar a folha danificada! E se eu não estivesse observando o ocorrido, a pequena teria ido embora rapidamente, devorada por um único indivíduo na calada da noite! Neste tipo de cultivo semi-hidropônico não há como deixar o granulo azul metarex para o invasor.



A pequena irá sobreviver, mas demorará porque tem crescimento lento, uma folha por ano, ou seja, paciência!

Bom cultivo e boa inspeção noturna!



quarta-feira, 19 de outubro de 2016

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Cultivo da Sarcochilus hartmannii

Olá colega orquidófilo,


Hoje falaremos sobre o cultivo da orquídea Sarcochilus hartmannii.




Soube que ela é rupícola e se desenvolve nas escarpas ensolaradas ou sombreadas na Austrália. Imagino que o habitat dela é a encosta do litoral do Espírito Santo ou algo similar, pois não conheci o local na Austrália, não é mesmo?
Obtive de alguns cultivadores estas características para o nosso entendimento sobre o seu cultivo.
Altitude: 500 a 1.000 metros.
Sombreamento: 70% ou 500 lux.
Floração: agosto a novembro.
Duração das flores: três semanas.
Tamanho quando adulta: até 80cm.
Tamanho da flor: 3 cm.
Quantidade de flores: até 25 por haste.
Caraterísticas que a diferem da "prima" Sarcochilus fitzgeralddi: crescimento vegetativo ereto ou levemente arqueado.
Eu tive a oportunidade de adquirí-la adulta com várias plantas menores ao redor da planta principal. Veio cultivada em casca de pinus grande, o que faz sentido com suas raízes grossas e vigorosas. Veio plantada em vaso de plástico médio. Apliquei a quarentena e rapidamente passei para o vaso cerâmico com furos nas laterais, complementei com um pouco de musgo chileno e pouco de carvão com isopor ao fundo.
Observei que havia resíduo de bokashi e mantenho as minhas com ele. Acredito que esta adaptação foi excelente para ela. Veio de um orquidário de Jundiaí com mais sol e calor que no Brasiliana.
Deixei-na no local juntamente com as minhas Phalaenopsis. Local protegido do frio e excesso de água no inverno. Luz indireta pela manhã, boa circulação de ar e plástico agrícola na cobertura das pérgolas de madeira.
Quase um ano depois, eis que vejo duas hastes se desenvolvendo lentamente na direção norte, quase simétricas.
Ansiosa em ver as suas primeiras flores, a separei para os cuidados da rega não atingir as suas hastes florais.
Após cerca de um mês, a primeira flor abriu e me encantei com a sua forma arredondada, tom do branco, textura e cor central. Enfim, uma sensação gratificante.
Costumo publicar e compartilhar nas redes sociais as primeiras fotos. Eis que um colega elogiou o cultivo alegando ser de difícil floração?!?!? -Como assim?
Isso mesmo! Ele está numa região mais ensolarada com influência da brisa do mar e não teve o êxito na floração da sua planta.
Suspeitei que havia a incidência de luz como fator decisivo. Medi com o aplicativo  gratuito do celular Lux Meter e apresentou 500 lux.
(Lux é a unidade de iluminamento, intensidade de iluminação ou iluminância. Corresponde à incidência perpendicular de 1lúmen em uma superfície de 1 metro quadrado.)
Também não entendi, mas sei que aos poucos estou assimilando a relação lux com as orquídeas e seus lugares no Brasiliana. Hoje eu sei que esta pequena gosta do local com 500 lux. Ponto! Deu certo.
Para entender luminosidade/sombreamento é o seguinte. Observe os livros e literatura para as orquídeas, poucos declaram a condição do habitat em lux. Declaram sombreamento. Aqui no Brasiliana demorei a entender que não havia luminosidade não porque o sol incide diretamente ou não em cada orquídea em cada local/zonas que separei. Corrigi pintando as paredes de cor branca, trocando o sombrite por plástico agrícola, adotando telhas translúcidas, ou seja, bordei e pintei para que as orquídeas estivessem na simulação do habitat e na condição de luminosidade e não de sombreamento, porque aqui era necessário luz/lux.
Analise a condição e o local do seu orquidário e verá que necessitará de outros instrumentos para um bom cultivo de todas as suas orquídeas. Talvez descubra que necessita de sombra.
Agora para o produtor e cultivador pensar em sombreamento faz todo o sentido. Terreno aberto ensolarado, equipamentos controlam para que a flor seja induzida para datas comemorativas de apelo comercial onde estarão tinindo no mercado consumidor.
Para nós mortais apaixonados pelas orquídeas da nossa coleção particular, observar a luminosidade é o melhor raciocínio, não tem erro. Não há como mudar de casa todo ano para cultivar orquídeas da coleção que se multiplica.
Para valorizá-la, tutorei com arames. Ela iria para a Exposição Anual e Cultural de Orquídeas da Sociedade Bandeirante de Orquídeas no Clube Banespa, mas suas flores se ressentiram com a elevação de temperatura e caíram antes do evento.


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Destaque do mês Sacoila lanceolata

Ganhei esta Sacoila lanceolata, orquídea terrestre.
Veio com a gema na base da haste e raízes preservadas. As raízes foram um pouco danificadas, mas algumas vieram intactas.

A cor é linda um rosa quase salmão, tudo aveludado, sem folhas. Raizes grossas e haste longa e fina. 


No mesmo dia replantei-na no vaso de plástico, no fundo brita com um pouco de isopor, musgo, cascas e terra com um pouco de húmus. A deixarei em sol pleno.
Por enquanto está dentro de casa. Daqui uns dias devo cortar a haste para poupar energia da planta, por enquanto estou apreciando esta orquídea terrestre e me arrependo de ter desfeito a minha coleção de terrestres. Sempre é tempo de recomeçar!


Estações do ano e controle da floração, etiquetas coloridas no pendural metálico

Olá,

Hoje darei um destaque para identificar as orquídeas por etiquetas de plástico coloridas. Aprendi com o Nato Ximenes.


Compre etiquetas nas cores verde=primavera, amarela=verão, laranja=outono e azul=inverno. Cada cor será para cada estação do ano. Para saber o período de cada estação consulte sites especializados.

Lixe os dois lados com palha de aço ou algo similar, escreva à lápis.

No topo R de replante e complete a data que realizou esta atividade. Abaixo C de corte.

Do outro lado da etiqueta e na parte superior F de floração. Se tiver alguma orquídea híbrida que dê flores mais que uma vez, faça a etiqueta da estação para cada vez que ela te presentear com flores.

Aos poucos, o seu orquidário terá um controle de floração e os seus vasos serão rapidamente reconhecidos pelas cores das etiquetas, o que facilitará a adubação no período que antecede a sua floração. Aqui na coleção Brasiliana utilizo bokashi nos meses de janeiro, abril e setembro. Utilizo chorume na proporção 1:20 e vitamina B com cálcio na diluição bem fraca 1 ml para 2 litros de água a cada 15 dias, exceto no inverno onde tudo é suspenso.

Por que isto é interessante? Para que possa rapidamente separar aquelas que deverão ser cuidadas antes da sua floração, principalmente se estiverem "perdidas" entre outras/todas no seu orquidário. As zonas do orquidário possuem características diferentes, então as plantas necessitam de um cuidado maior antes da floração, inverno e verão.

Mesmo que tenha poucas orquídeas, vale a pena organizar utilizando este recurso visual. Rapidamente a sua coleção aumentará e poderá se perder na adubação delas ou prevenção no período da floração. Percebi que estas cores me auxiliam na separação do vaso, destiná-lo na prateleira com o sol da manhã, controle de água, tutoramento, etc, ou seja, período que ela terá mais a atenção.

Detalhe: a etiqueta branca com a procedência, data de aquisição e identificação da orquídea deverá ser mantida junto com a etiqueta colorida.

Após meio ano de utilização das etiquetas plásticas pude observar que a cor laranja não resistiu aos raios ultra-violetas, desbotou e não cumpriu o objetivo. Ainda utilizo este método até encontrar outro similar.

Utilizo o cultivo suspenso na estrutura de madeira. Os vasos não tem lugar fixo por gancho. Tem gancho metálico parafusado para que o pendural metálico possa suspender o vaso cerâmico. É neste pendural que coloco as etiquetas plásticas.

Poucas orquídeas sem pendurais estão nas prateleiras. Todas com etiquetas.

Citarei outro controle bem interessante. Vi somente uma grande e admirada colecionadora fazer desta forma. Escreva a identificação da orquídea, imprima a foto da flor, plastifique e deixe fixada no vaso, não no pendural metálico que é removível para a planta ser exposta sem ele. Considero muito legal esta organização por foto, pois há o registro no vaso durante o período todo, com ou sem flor. Pode ser feito um controle de qualidade de uma floração para outra e avaliar o cultivo de um período para outro.

Acrescento também os detalhes deste pendural em inox. Detalhes que fazem a diferença no cultivo, além de prático, é duradouro. Hoje utilizo somente os de inox com este canudo. Já tive vaso quebrado porque uma haste de galvanizado quebrou ao bater noutro, devido as demais hastes não caiu.

Sem o canudo e em galvanizado: vida curta

Com o canudo e em inox: o vaso não cairá