sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Odontocidium Catatante

Hoje vamos saber um pouco sobre a orquídea Odontocidium Catatante, ela obteve o segundo controle de cultivo dada no Brasil para uma flor! Há duas plantas cultivadas pela empresa Dfloraflor, uma é a Sun Spot e a outra é a Sun King. A diferença entre elas é imperceptível. Vi o tom do labelo mais claro que a outra.

www.dfloraflor.com.br


Hibridação é o processo onde há o cruzamento de orquídeas. Ela foi desenvolvida no Havaí pelo hibridador James McCully e quem pode vendê-la exclusivamente no Brasil é a Dfloraflor.

O que ouço muito é que há poucos hibridadores de orquídeas, uma atividade quase em extinção, talvez sob o ponto de vista que muitos tentaram e sem sucesso fizeram novas orquídeas que não cairam no gosto do público. Por outro lado há várias referências no mercado, filhos e netos que deram continuidade do trabalho do fundador desta atividade no Brasil.

Conhecemos muitos cultivadores de orquídeas que selecionam as melhores flores e separam para a sua reprodução. Destinam ao varejo ou vendem no atacado, assim o ciclo de produção e distribuição se completa até nós comprarmos no supermercado, exposição, centro de distribuição e floriculturas.

Por baixo teremos de 3 a 5 anos no desenvolvimento da planta. Admiro todos que estão envolvidos no processo das orquídeas. Desta forma se torna economicamente rentável e compraremos a orquídea sabendo da sua procedência, reproduzida e evitando a retirada dos habitats e comércio ilegal.

Vemos muito no mercado o resultado que quase deu certo. Pense numa orquídea que não abre toda, ou outra que é excepcional! Esta excepcional irá para a reprodução ou será adquirida por um colecionador.

Intergenérica é o termo utilizado quando há o cruzamento entre gêneros afins de diferentes espécies de orquídeas.

Neste caso denominamos de hibridação intergenérica. No Brasil praticamente são desconhecidas e para o produtor é um desafio desenvolver o mercado.




O cultivo dela exige luz, calor, água abundante. A minha veio no vaso de plástico com a boca estreita e um pouco fundo. Plantada na casca de pinus, carvão e um pouco de musgo. Está pendurada no orquidário e tenho a certeza que a haste dela exigirá altura maior.

Ela não tem uma época exata de floração, quando forma o pseudobulbo soltará uma haste nova.

Não tem perfume e sua floração é abundante por cerca um mês até 45 dias, rega abundante no vaso mas não na haste floral.

Enfim, uma orquídea diferente e interessante pela cor e história. Manterei a minha na coleção Brasiliana. Conheça-a, ficará encantada com os tons laranjas e sua floração.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Cores e proteção de cultivar orquídeas




Falar de cores é algo simplesmente inusitado.
Entretanto cor é um critério utilizado para classificar a orquídea, assim como para buscar o melhoramento da orquídea com a intervenção do homem.

Falar de proteção de cultivar orquídeas mais ainda.

- Aham. Cores e proteção de cultivar orquídeas. Vamos lá!

Vou dar um breve exemplo. Fui comprar um artigo para a cozinha. Havia uma promoção. O preço variava com a cor do produto. Preto era mais caro, vinha o azul e por último o verde, mais barato 50% em relação ao preto. Os produtos vermelhos haviam esgotado! Então, temos uma preferência dos consumidores por determinadas cores e rejeição por outras.


Voltei para casa e resolvi escrever este artigo sobre cores nas orquídeas.


Lembrei-me de outra história. Desavisada, levei a primeira orquídea a ser ilustrada com a mestra Hiroe Sasaki em 2013. Uma Coelogyne cristata da minha coleção. Ilustrar flor branca com a técnica da aquarela é super difícil. A base branca é o papel, 100% algodão acetinado prensado à quente, geralmente amarelado. Daí a mágica é fazer a sombra com as cores: amarelo, azul e vermelho. Tchan tchan, após vários meses e muito treino da técnica e vista cansada: flores brancas ou quase brancas!
Então vamos lá, geralmente o branco é bem visto pelos povos, representa paz. Para outro país o branco representa a morte. Para os latinos, vermelho e amarelo são os preferidos, consomem híbridos denominados repolhões com cores contrastantes. Os europeus preferem os tons mais discretos, suaves. Com a globalização os costumes e preferências estão mudando rapidamente com a quantidade de informação disponível para todos.

Ai do co-criador da natureza/hibridador de orquídeas que não atingir o seu objetivo em conceber e criar um híbrido que não agradará ao público em geral, seu investimento não dará retorno financeiro.
Os orquidófilos adoram flores brancas, vermelhas e amarelas. Geralmente as nossas espécies nativas brasileiras são amarelas.
O que a maioria não sabe é que há orquídeas nativas azuis, raríssimas e de crescimento lento! Veja o exemplo da Cleisocentrum merrillianum, nativa e azul. 

Não confunda com a Phalaenopsis branca do supermercado que foi tingida por um pigmento azul através do fornecimento da água ou algo do tipo. Esta técnica é utilizada para tingimento em outras flores.
Conheci em 2014 uma planta híbrida denominada Odontocidium Catatante Sun Spot. Fui atrás do fornecedor dela porque ela é laranja, não é amarela ou marrom como os vários Oncidiums. Descobri que há patente nela, a segunda patente dada no Brasil para uma flor. O hibridador é do Havaí.
O produtor no Brasil tem orquídeas de todas as cores. Veja o link WWW.dfloraflor.com.br



Como assim? Orquídea com proteção de cultivo??? O hibridador é o criador dela? Ninguém mais pode produzí-la ou comercializá-la?


Sim, vou mais devagar nessa história.....

Será publicada na semana que vem, acompanhe. 

No final da visita, a minha Catatante veio florida, exuberante, presente do cultivador dela no Brasil. Até hoje não deu flores...gosta de ambiente quente e com muita luminosidade. Estou mudando ela de local no orquidário para que floresça. Ela e a Microterangis hildebrandth são as únicas de cor laranja da minha coleção Brasiliana.
Hoje, tenho várias orquídeas brancas na minha coleção, a maioria Aerangis e Coelogynes. Poucas amarelas. Algumas Cattleyas no tom rosa. Tenho uma pequena lista de desejo com flores vermelhas, a maioria já consegui corte ou muda...
Bom cultivo e faça uma pequena lista de desejos por cores, vale a pena!
Eu não desisti da floração da Catatante. Todos os dias dou uma olhadinha rápida para ver se a haste floral deu sinal.



sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Primavera 2016

O ciclo da natureza é implacável!

Demorei a perceber isso com o cultivo das orquídeas. Talvez vocês também...

Neste ano atentei um pouco mais para alguns acontecimentos na natureza:

1- o sabiá de peito laranja começou a cantar no meio de agosto: 3:10 da manhã todos os dias. Nos anos anteriores cantava às 4:30.
2- ipês amarelos, brancos e rosas floridos em várias regiões do bairro. Um show a parte.
3- folhas cairam rapidamente e a seiva da árvore da calçada trouxeram os pulgões na semana passada. Tinha população de pulgões nas frestas dos carros e no piso da garagem.
4- o primeiro cupim apareceu no início da semana. Identifiquei no tronco da mesma árvore da rua. Apliquei inseticida à base de água no foco e a população diminuiu.
5- um colega postou a foto da Amarilis totalmente aberta. Um indício da primavera.
Amarilis fotografa pelo amigo Edson Cherem
6- a amoreira híbrida deu a sua safra anual em duas semanas e acabará nesta semana.

Interpretei estes sinais e fui checar alguns vasos de orquídeas. Algumas raízes estão crescendo, como se fosse um despertar para a primavera.


Rapidamente dei água abundantemente e apliquei o bokashi. Alerta geral! Não venham me visitar tão cedo, o cheiro está terrível por aqui. Deve durar uns dias. Nem o mascote Oliver está suportando. Rs.

Devo pulverizar o chorume na proporção 1:20 nas plantas em geral, incluindo o jardim na semana que vem, pois já identifiquei alguns pulgões nas frentes de algumas orquídeas e atividades de formigas nos Pleurothallis.

A seiva é desejada pelas formigas e pulgões. Cuide dos novos brotos. Quando a quantidade é pequena, faço a catança manual, mas considere que o nosso magnetismo pode danificar o broto, então prefira usar pincel com cerdas chatas ou papel toalha descartável.



Vamos ver o resultado. Confira as suas pequenas.

Fiquei bem feliz por ter o orquidário todo telado e parcialmente coberto. A infestação poderia ser maior e o sábia velho conhecido não estragará os vasos retirando o musgo, pois a sua família deve ter aumentado.

Bom cultivo e tenha uma excelente primavera 2016!




sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Vida fácil e saudável

Olá!

Hoje falarei um pouco sobre o uso correto de alguns apetrechos do orquidário.

Abaixo, apresento a minha bancada de trabalho. Reciclei uma mesa, a cadeira pertenceu aos meus avós maternos, as prateleiras foram recicladas de uma caçamba de caminhão de peroba rosa entalhada e pintada, sobre as prateleiras instalei telas metálicas para garantir a ventilação das orquídeas.

Utilizo caixas de plástico para substratos e coisinhas do dia-a-dia para ajuste e identificação das plantas.

Tenho cestas de plástico para concentrar vasos e cachepots ou tocos de madeira, todos pequenos e delicados.

Utilizo bandejas e caixas para concentrar os objetos em geral.

Tenho sempre um avental e uma almofada, ambos personalizados com motivo de orquídeas que desenvolvi com uma amiga.

Também preferi um cesto de lixo exclusivo para esta atividade, assim logo após o uso, recolho o lixo e não há possível contaminação de fungos ou vírus.

Os demais itens pertencem à loja deste site, afinal vivemos destes produtos e não da venda de orquídeas.

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Demorei a investir nos equipamentos: esterilizador, bombas e esguicho. Por que?

Primeiro, eu tinha 6 vasos, daí mais tarde 30. Já tinha as preciosas tesouras que esterilizava na boca do fogão da cozinha. Quando a coisa tomou outra proporção, digo quando a paixão pelas orquídeas literalmente invadiu o meu quintal, já não dava para ficar de qualquer jeito. Estimo que eu tenha no Brasiliana cerca de 500 vasos, ou seja, 500 orquídeas diferentes.

No passado fui até o centro atacadista ver produtos e preços. Descobri que havia muito pouco produto para a orquidofilia. Comentando com uma amiga, ela me indicou algumas cooperativas agrícolas e foi nelas que encontrei a melhor relação custo x benefício para o esterilizador, bombas e esguicho.

Recentemente fui lá num sábado pela manhã, apenas duas estavam abertas e elas não tinham o que eu precisava. Alegaram pouco movimento, uma pena!

Atualmente, pesquiso e compro muito pela internet. Há sites confiáveis e produtos extremamente competitivos. Se você sabe o que quer, orce e compre logo para que suas plantas fiquem saudáveis.

A minha última aquisição foi um esguicho múltiplo com prolongador. Espero que dure bastante, pois retirei a válvula da mangueira e acoplei este instrumento. Vem com a cabeça articulada, posso mudar o ângulo do jato dágua, vem com um anel que dá 12 tipos de jatos diferentes, tem um botão liga e desliga, tem um conector para a mangueira. Há vários comprimentos do prolongador. Escolhi o de 60cm.

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Usei e fiquei bem satisfeita com este produto! Recomendo para todos que necessitem da haste para regar os vasos no alto. O mais importante: leve e não vaza água na conexão.

O motivo para a troca do esguicho foi uma inflamação no ombro direito. A fisioterapeuta esteve corrigindo posturas e uma delas foi adequar a altura do movimento para até o ombro e nunca para cima dele. Precisei cuidar de mim sem deixar de cuidar das pequenas.

Pesquise e invista, sua vida será outra coisa. Facilitará a rega manual.

Fica a minha dica para você ter uma vida saudável com as suas orquídeas.

Destaque do mês Maxillaria sanguinea

Comprei uma touceira com dois colegas, a dividimos. Veio plantada assim: vaso cerâmico sem furo na lateral, fibra de côco, carvão e pouco da casca de pinho.

Admirei a composição no vaso, todas as frentes com o mesmo número de pseudobulbos e suas folhas bem  verticais, bem firmes.

Tenho poucas Maxillarias, muitas morreram por falta de água de chuva, ventilação e sol. Fiquei apreensiva ao histórico delas no meu orquidário.

Esta é a primeira floração dela em casa! Está indo super bem.


Os botões florais crescem rapidamente e em uma semana a primeira flor abre. Quando estava abrindo, me lembrou um Cymbidium por algum motivo, talvez o formato externo...talvez o brilho das sépalas e pétalas... suas flores possuem quase 1,5cm de largura. Sei lá...porque a sua flor lembrou o outro gênero.


A estrutura vegetal dela me lembrou a Maxillaria tenuifolia, aquela que tem cheiro de côco. Esta tem o pseudobulbo arredondado e folhas bem mais estreitas e cônicas, mais curtas que a sua prima. Numa rápida comparação, esta Maxillaria sanguinea está sendo muito mais fácil de cultivar que uma tenuifolia que tenho aqui e ainda não deu flores.



Para o tamanho dela, eu diria que deu várias flores. Gostei do resultado.

Daria o destaque para o labelo desta pequena. Há um rosa avermelhado no interior e na extremidade um branco bem suave.

Não percebi aroma acentuado, apenas um cheiro, algo bem suave.

Percebi que os pseudobulbos estão hidratados, folhas saudáveis e novos brotos tem vindo com vigor, ou seja, esteve muito bem cultivada!


Fiz uma rápida pesquisa e soube que é nativa das florestas de 50 a 900 metros acima do nível do mar na Costa Rica e Panamá. Imagino clima quente e úmido. Brisa do mar.



Ela está numa prateleira onde há sol pela manhã, é úmido e ventilado. Perto dela está a Maxillaria variabilis.



Devo mantê-la na minha coleção Brasiliana, ela é bem interessante. Quero cultivar uma touceira dela! Falando em touceira, algumas ficam interessantes em quantidade.



Agradeço imensamente por tê-la aqui.



Bom cultivo!



sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Phalaenopsis híbrida, as minis

A Phalaenopsis ou popularmente denominada como orquídea borboleta talvez é a espécie mais disponível para a comercialização nos supermercados e pontos de venda no Brasil e no mundo.
Foi através dela que iniciei a paixão por orquídeas, provavelmente muitos se identificarão com o seu início na orquidofilia.

São difundidas e compradas para presentear amigos/as em festas, comemorações, aniversários e assim por diante, invadem os lares desavisados onde reside um futuro orquidófilo.


Muitas vezes são utilizadas pelo seu apelo decorativo, consultórios e shoppings sempre consomem estas orquídeas. Não possuem cheiro, tem uma variedade imensa de cores e texturas gráficas. Suas flores tem duração elevada e sua resistência aos ambientes climatizados fazem dela a relação custo x benefício quase que imbatível em relação as demais orquídeas ornamentais.

Estas fotos, de autoria de Thais Velecico, são Phalaenopsis híbridas, tamanho singularmente pequenas, conhecidas popularmente como mini Phalaenopsis.
@thaisvelecico

Quem desenvolveu no vaso cerâmico personalizado e comercializou foi a De Flor a Flor.

Sobre a origem da planta??? Provavelmente de um hibridador asiático cujo histórico e identificação genética da planta nunca será revelado e nem terá histórico científico.

Suas hastes produzem várias flores que duram até 90 dias se não molhadas e expostas ao sol pleno. Adoram luminosidade  alta e ventilação moderada. Geralmente cultivadas no musgo com isopor, prensados em vasos de boca pequena, geralmente de plástico.

Substrato recomendável: lascas médias e grandes de peroba, isopor e pouco musgo.

Uma particularidade desta orquídea é a raíz grossa. Evite cortá-la ou danificá-la. Se for necessário replantá-la, umedeça as raízes antes de retirá-la do vaso, assim suas raízes ficarão mais conservadas.

Na natureza, suas folhas pendem e não retém água no centro da planta.
Cultivamos desejando que ela fique ereta e centralizada no vaso, entretanto o cuidado é para que nunca fique água no centro dela, podendo ocasionar o apodrecimento da nova folha e da planta toda.

Ilustrando uma coleção delas em 2015, aprendi que o ciclo da planta é bem simples. Depois das flores, a haste permanecerá e dela sairão outras flores na próxima temporada. Assim que as flores se forem, de 60 a 90 dias abertas, uma nova folha será desenvolvida no topo e a folha mais velha na base morrerá.

Sendo monopodial, evite girá-la. Mantenha-a sempre na mesma direção para que as suas folhas fiquem simétricas e alinhadas.

Infelizmente é uma planta quase sem valor algum nas coleções particulares e exposições do gênero, assim como várias híbridas com o apelo comercial.

Observo algumas delas amarradas com vaso de plástico e tudo nas árvores do passeio público! Algumas queimadas de sol, outras com fungos, algumas desidratadas. Tenho vontade de trazê-las para dentro de casa, onde serão mais preservadas!

Noutro dia, perguntei ao colega cultivador que esteve visitando a minha coleção.
- Você mudaria alguma coisa?
Ele me respondeu: - Elas estão florindo? Se estiverem, perfeito! Não há nada o que mudar. Deixe-as como estão!