sexta-feira, 29 de abril de 2016

Para um orquidário saudável - parte 01


Hábitos e costumes – Parte 01

Achei importante listar alguns aspetos a serem analisados que poderão produzir hábitos aos iniciantes da orquidofilia:

1-     Escolha tesouras de precisão e para cada tipo de corte.
Gosto muito de tesouras pequenas com pontas afiadas para as micro-orquídeas, tesouras médias para as Cattleyas e tesoura de poda para jardim em separado das orquídeas, pois assim as mantém mais conservadas por longo período, sem danificar a lâmina, nem afrouxar as peças. Tenho duas de cada, um conjunto para o meu orquidário e outro para o jardim que abriga algumas espécies de orquídeas.


2-    Compre um esterilizador.
Demorei a investir num esterilizador a gás (maçarico), apesar de os modelos que via nunca me agradaram. Enquanto isto, utilizei a boca do fogão da cozinha. Eram tesouras e plantas na bancada ou sobre a mesa, e dava um baita trabalho levá-las para dentro de casa, e depois do serviço feito, devolvê-las ao orquidário. Depois da aquisição do estelizador, o serviço é realizado no orquidário e tudo ficou mais rápido e prático.

 
3-    Invista em bombas ou pulverizadores para cada produto: um para água, um para diluição do fertilizante, um para o inseticida diluído, etc.
Foi numa visita ao orquidário de uma amiga que reparei na organização na bancada: pulverizadores identificados para cada uso, e a sua explicação me convenceu: cada produto em um recipiente para que tivesse eficiência, e um não contaminasse o outro na utilização da mesma bomba, mesmo que higienizada posteriormente.


 
Aprendizado 9: A utilização de tesouras certas e bem afiadas auxiliam na manutenção do orquidário, já tesouras cegas e incorretas apenas atrapalham e atrasam no cuidado delas.

Aprendizado 10: Esterilize tudo! A pior coisa para um orquidário é proliferar as doenças para todas plantas.
 

Aprendizado 11: Assim como a esterilização das tesouras, é muito importante não misturar venenos, pois eles podem reagir e inclusive serem muito prejudiciais ao nosso organismo, e até às plantas.

Bom cultivo e muitas flores!

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Segredos de um orquidário

O orquidário

Após refletir muito se levava jeito ou não, no cultivo das orquídeas, tive que dar um jeito nas plantas que já possuía, cerca de 30 vasos.

Aproveitei e fui numa loja de materiais de construção, encomendei peças em madeira para fazer um ripado e uma cobertura na lateral da casa. Paguei o olho da cara! Dividi em 6 vezes sem juros. Sem ainda conhecer direito todos detalhes e segredos da orquidofilia, acabei comprando madeira ruim e fraca para ser utilizada... tive então que pintar com esmalte sintético para dar maior resistência às peças. Era o que eu podia fazer naquele recesso de final de ano! Tinha pouco tempo para solucionar um local para as pequenas, que já não cabiam dentro de casa ou na bancada do bujão do gás. 

Contei com a ajuda de um cunhado e uma sobrinha para terminar o serviço, pois o orçamento já estava estourado com os materiais!

Este espaço contou com 1,5m de largura e 3m de extensão.

Em menos de 6 meses, precisei ampliá-lo, duplicá-lo, pois havia mais plantas para serem penduradas e cuidadas‼! 

Lembram do meu primeiro grupo de orquidófilos de Barueri? Uma amiga de Carapicuíba me dava várias miudezas, todas maravilhosas‼! Foi aí então, que soube das micro-orquídeas, ainda pouco divulgadas nos orquidários comerciais. Entendi então porque eu não me apaixonava pelas grandes, cattleyas, laelias, espécies ou híbridas repolhudas. Eu amava as pequenas desde o início da orquidofilia‼! Elas são pouco valorizadas comercialmente, mas são encantadoras e delicadas!

Erro cometido: Comecei do modo mais penoso, por elas! Após 6 anos, iniciei o cultivo das Cattleyas, e estou me divertindo com o resultado, por isso recomendaria o cultivo das pequenas para deixarmos o ego de lado, pois apanhamos no cultivo delas sempre, praticamente todos os dias.

Boa idéia: Hoje, procuro materiais nas caçambas do meu bairro! Noutro dia encontrei uma parte da carroceria de caminhão, duas peças sem emendas com comprimento de quase 6m, 3 ripas de peroba entalhada, pintada, muito pesada, mas sem dono, largada na calçada onde tem feira de rua‼!

Grande idéia: Investi numa serra circular que estava em promoção no Dia dos Pais e fiz tudo que foi necessário para aproveitar as peças, prateleiras para quarentena das plantas, plantas que vão para Exposições, plantas que demandam qualquer tipo de transição ou cuidado no transporte...

Aprendizado 6: Planejamento é tudo! Planeje, pesquise materiais e preços de serviços. Conte com amigos e parentes para realização dos serviços. Utilize recursos disponíveis a sua volta!




Aprendizado 7: Ame as micro-orquídeas incondicionalmente‼! Geralmente cultivadas em tocos de madeira, placas cerâmicas, cones cerâmicos, garrafas pet, cachepot de madeira, vasos tipo dedal ou pequenos de plástico, enfim tudo para que elas não fiquem desidratadas! Geralmente não tem bulbos, precisam de maior atenção e umidade com rega diária.




Aprendizado 8: Cultivar Cattleyas é mais fácil que começar pelas micro-orquídeas. Seja por onde tenha iniciado, cada oportunidade vale a pena. O sofrimento passa depois que a sua coleção tenha se firmado, criado o micro clima necessário às plantas.



 
Bom cultivo e uma ótima sexta-feira amigos do Diário!

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Conhecendo as Associações Orquidófilas

O curso de cultivo e a identificação das orquídeas



Após várias tentativas e erros, decidi fazer um curso de cultivo num orquidário perto de casa. Paguei e fui lá saber um pouco das orquídeas juntamente com um amigo que também gostava das orquídeas.
Com muita expectativa e pouca realização, verifiquei que pouco aprendi na aula prática, mas voltei para casa com várias aquisições! Não havia como resistir às flores que estavam expostas, tinha muito perfume no ar e cores no ambiente‼! Cheiro de baunilha, chocolate, e tantos outros mais. Dentre as plantas mais exóticas para mim, vi uma Stanhopea tigrina florida! Uau, muito exótica! Fiquei tão paralisada, que não soube reagir no momento, pois para mim aquela orquídea realmente era MUITO DIFERENTE! Tempos depois ainda fico refletindo, e me arrependo de não ter adquirido aquela planta...
Naquele verão aconteceu algo que fez com que eu acompanhasse diariamente a coleção. Algumas que morreram rapidamente em casa, cito a Sophronitis coccinea

Diagnóstico: fungo. 
Em três dias de chuvas de verão, lá se foi a planta‼! Ficou simplesmente preta, apodreceu. A água de chuva veio do telhado cerâmico e lá se foi a plantinha.

Aprendizado: melhorar a drenagem dos vasos de orquídea.
Chocada, me dediquei as Phalaenopsis (bem mais fáceis do cultivo!!!). Permaneci na zona de conforto total, cinco delas havia trazido do apartamento e estavam indo de vento em popa! Para compensar a perda, fui ao supermercado e adquiri uma de cada cor..... Mas.... É claro que não deixei nenhuma no cachepot.
Intrigada e não querendo ficar com o sentimento de derrota, fui conhecer outros orquidários da região, ver mais orquídeas, comprar outras!
Comprava compulsivamente..... achava bonita, comprava! Outra diferente, comprava! Meu pai, assustado, disse na época: - Filha, o bicho picou você!
Foi num desses locais que uma cliente veio conversar comigo e me convidou muito educadamente para conhecer um grupo de orquidófilos, informando que lá aprenderia um pouco sobre o cultivo e sobre técnicas para cada uma a uma das plantas.
Lá fui eu para o Núcleo Orquidófilo Castello Branco! Uma vez por mês saia de casa e ia até Barueri, e sempre voltava com mais plantas, viajava em grupo nos orquidários em volta de São Paulo, ía nas Exposições de Orquídeas pelo Estado... Enfim, durante cerca de dois anos participei deste grupo maravilhoso.
Depois de muito tempo, sentia que as minhas plantas não iam bem e muito menos eu, pois faltava algo! Decidi fazer um plantio de ervas para temperos, na época inspirada pelo programa do Jamie Oliver que meses depois verifiquei que também não deram o retorno esperado. Toda vez que precisava de temperos, estavam secos ou mortos.... :(
Cheguei então a conclusão que não levava jeito para jardinagem e agricultura, apesar de ser descendente de japoneses! Meu avô paterno fora agricultor no norte do Paraná junto com as famílias italianas e meu avô materno, cozinheiro e marceneiro. Me perguntava então porque nada dava certo com as plantas….

Aprendizado 3: Escolha o melhor curso, extenso em carga horária e com conteúdo para muitos meses de cultivo, mesmo que seja do outro lado da cidade. Invista tempo e dinheiro no conhecimento para manter as suas orquídeas! Conheça outros orquidários e mestres no cultivo, cada um tem o tipo de cultivo.

Aprendizado 4: Não compre sem saber o que é. Gostou? - Pesquise e volte para adquirir. Muitas plantas serão perdidas até aprender a cultivá-las. Segure o impulso de tê-las! - Impossível, aprenda com os erros até cair a ficha, foi o que aconteceu comigo. Não jogue dinheiro fora e não mate as pequenas por não saber cultivá-las. Utilize a internet para pesquisa rápida e necessária. Hoje há imagens e fontes em vários sites e idiomas, não necessariamente em livros. Compre apenas plantas com nome, identificadas!

Aprendizado 5: Escolha e participe de associações e/ou grupos de cultivadores de orquídeas. Hoje participo de uma associação (Sociedade Bandeirante de Orquídeas) que possui reunião semanal. Sempre aprendo e passo adiante o que sei. Acelero o meu aprendizado com o grupo. As plantas agradecem!

Bom cultivo e uma ótima sexta-feira amigos do Diário!

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Destaque do mês Cadetia taylori

Cadetia taylori

Arrematei esta planta num leilão! Daí a importância de participar de um grupo ou sociedade de orquídeas.

Veio florida, touceira grande, plantada num vaso de plástico. Já a dividi ao meio com um amigo do grupo. Tinha uma muda/keike florida, passamos para outra amiga. A orquidofilia, assim como outras áreas da sociedade, pode fazer muitos amigos e pode também criar desafetos.

Ela estava na minha Lista de Desejos, o orquidófilo que não tem uma lista, está mentindo ou ainda não a formalizou no papel (risos). Estou interessada nas demais Cadetias existentes.

Sendo nativa da Austrália, sempre imaginei que um dia a teria. Daí, veio a oportunidade de tê-la. Precioso recurso material nos tempos de crise econômica, o dinheiro teve a sua serventia na aquisição dela. Poucos a conheciam durante o leilão.

Ela é nativa da Austrália, tem perfume suave, levemente adocicado por volta da hora do almoço. Perfume inconfundível entre outras no orquidário. De pequeno porte, flores brancas delicadas com um toque aveludado e amarelado no labelo, possui raizes finas e numerosas.

Plantei-a num vaso cerâmico raso, com rasgos nas laterais. Utilizei musgo e casca de pinho bem pequena.

Bom cultivo e muitas flores!


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Bem-vindos ao Diário do Orquidófilo

O início


Este site surgiu com a ideia de divulgar as principais questões para quem inicia o cultivo das orquídeas. Então, a proposta é ter uma publicação semanal, toda sexta-feira às 18:00. Sempre será mencionado o aprendizado em cada publicação. O objeto de estudo será a formação da minha coleção particular, mas poderia ser a sua, afinal todas as flores, perfumes e formas são de interesse dos amantes das orquídeas.

Vou contar um pouco como começou o interesse pela orquidofilia, vamos lá:

Eu residia num apartamento de 59m2 na Vila Clementino e possuía uma varanda de 1m². Lá comemorei vários aniversários e cada um deles, ganhava uma Phalaenopsis, até que um dia, achei na lixeira do prédio uma Denphal e tive muita dificuldade em cultivá-la. Bingo‼ Acabei me apaixonando pelas orquídeas por ter que estudá-las e conhecê-las desde 2011.

Fazia de tudo para agradá-las, estudei, replantei, dividi, etc. Dei a planta quando descobri que ela não dava mais flores e as raízes novas demoravam a dar o ar da graça (neste momento já havia mudado para um sobrado na Zona Sul de São Paulo com as 6 orquídeas que trouxera do apartamento), e resolvi abrir mão dela para que sobrevivesse nas mãos de uma amiga.

Fora a Denphal, tive e ainda tenho algumas dificuldades não superadas no cultivo: Oncidium e Dendrobium. Pasmem!! Verão muito pouco sobre elas neste site, até que eu tenha o jeito com elas (risos).


 
Aprendizado 1: nunca deixe a planta num cachepot, principalmente em lugar descoberto e no inverno. Aprendi isso numa viagem que fiz durante o primeiro inverno depois de mudar para a casa. Quando retornei, o Phragmipedium estava submerso na água fria da chuva, sem condições de recuperação.
Lembrem-se, decoração e orquídeas servem ao propósito de ter o vaso com planta florida dentro de casa num cachepot, terminou a flor, retire-o e leve-o ao local de cultivo. Todo cuidado é pouco, pois ventilação é um dos itens para uma planta saudável.

Aprendizado 2: abra mão da planta quando não tiver como cultivá-la, enquanto é tempo dela reagir. Muitas vezes, por insistência, tentamos o cultivo. Ou a planta é ruim, fraca sem condições de cultivo, ou o ambiente não é propício para ela devido aos fatores necessários ao seu cultivo. Entenda isso e parta para cultivar aquelas que corresponderão ao seu ambiente. Com o tempo, o nosso olhar saberá se a planta é boa, saudável e adequada para nossa casa. As raízes indicam o estado da planta.

 
Bom cultivo e muitas flores!